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WorldPressPhoto 2012 – Mostra de Fotojornalismo

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“Nós talvez nunca saibamos quem é sua  mulher, segurando um parente ferido,mas juntos eles se tornam uma imagem viva da coragem das pessoas comuns, que ajudaram a criar um capítulo importante na história do Oriente Médio”


Aidann Sullivan – Presidente do Juri do WPP 2012

 

A Caixa Econômica Federal e a Capadócia Produções Artísticas trazem ao Rio de Janeiro a  55ª edição da mostra de fotojornalismo WorldPressPhoto 2012 que reune 170 fotos de 57 fotógrafos, consideradas as melhores imagens publicadas na imprensa mundial em 2011 e retratam diversos assuntos que aconteceram no mundo relativos a política, natureza, economia

A exposição que começa hoje 08/05 e vai até o dia 03/06, está aberta de terça à domingo das 10hs às 21hs  e tem entrada franca.

O WPP  é um dos eventos mais prestigiados do mundo no fotojornalismo e esse ano reuniu ao todo nessa edição, 101.254 fotos de 5.247 fotógrafos de 124 nacionalidades que foram avaliadas por um juri de 19 participantes na sede do WPP, em Amsterdan no início desse ano.

A Melhor foto do ano foi a do fotógrafo espanhol Samoel Aranda, que estava em missão pelo NewYork Times. A foto retrata uma mulher com um parente ferido nos braços, dentro de uma mesquita usada como um hospital de campo por manifestantes contra o governo do presidente Ali Abdullah Saleh, durante confrontos em Sanaa, Iémen, Oriente Médio. A foto foi vencedora da categoria Pessoa nas notícias

O concurso no total premiou 57 fotógrafos de 24 nacionalidades. Profissionais de países como Afeganistão, Argentina, Austrália, Espanha, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos estão entre os vencedores. Pena que, infelizmente, nenhum brasileiro aparece na lista.

Exposição WorldPressPhoto 2012

Centro Cultural da Caixa Econômica

Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro – RJ

De Terça à Domingo das 10 às 21hs.

Entrada Franca

Confira outras fotos premiadas em outras categorias

Débora Bendito

Salve São Jorge • Tecnicolor Podcast

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♪ Boa audição!

01 • O Cavalo de São Jorge – Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro

02 • Lua de São Jorge – Caetano Veloso

03 • Aldeia de Ogum – Joyce

04 • São Jorge Guerreiro – Rancho Flor do Sereno

05 • Flor De Laranjeira/Sereia/São Jorge Meu Protetor – Beth Carvalho

06 • Pai Orixá – Jackson do Pandeiro

07 • São Jorge é meu guerreiro – ponto de umbanda

08 • Saudação a Ogum – Leci Brandão

09 • Na Bahia Tem – Capoeira Angola/ Berimbau de Ouro

10 • A Deusa Dos Orixás – Clara Nunes

11 • Cortejo/Auto de Fé/Baticum de Samba/Ogum de Roda – Roque Ferreira

12 • Umbanda – Iemanjá, Exú, Pomba Gira, Ogum, Obaluaiê, Oxalá – Martinho da Vila

13 • Jorge de Capadócia – Caetano Veloso

Maria Clara Coelho

Redesenhando os passos e as faces de Eliseu Visconti

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'Autorretrato' de Eliseu Visconti – 1902

'Autorretrato' – 1902

Tentar redesenhar a história de Eliseu Visconti é, num certo sentido, tentar compreender a sutileza de sua obra e a dimensão de sua contribuição para a história da arte no Brasil, mas também no mundo. Nascido na Itália (1866) e crescido no Brasil (a partir de 1873), Visconti morou no bairro do Andaraí, zona norte do Rio de Janeiro, enquanto estudava música no Club Mozart. No entanto, não durou muito tempo para que suas habilidades e talento para as artes plásticas sobressaissem aos olhos atentos e fizessem com que o mesmo iniciasse os estudos em desenho e também pintura. Desde então, Eliseu frequentou o Liceu de Artes e Ofícios (1883) e a Imperial Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro (1885) – por solicitação do próprio D. Pedro II. O agradecimento de Visconti ao imperador veio posteriormente através da figura de D. Pedro II no pano de boca “A Influência das Artes na Civilização” do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Com a proclamação da República, Eliseu Visconti e demais artistas que se alinhavam à perspectiva dos ‘modernos’ lutam por uma reestruturação do ensino das artes no Brasil. Com o intuito de pressionar o governo, os ‘modernos’ se afastam da academia que instituia as regras rígidas do ensino da arte e fundam o Atelier Livre, no Largo de São Francisco e posteriormente levado para a Rua do Ouvidor. O Atelier fez bastante sucesso na época, atingindo seu ápice durante uma exposição coletiva onde Eliseu Visconti participou e se destacou.

Diante deste fato, o governo da república acata algumas mudanças significativas para o ensino de arte no Brasil e cria a Escola Nacional de Belas Artes (1890). O Atelier Livre é fechados e os artistas, dentre eles Visconti (aos 23 anos), retomam os estudos dentro de um ambiente oficial, a Escola Nacional de Belas Artes. É em 1892 que Visconti passa a trilhar seus passoa para o exterior. Através da organização do primeiro concurso da República, tendo como prêmio a concessão de bolsa de estudos na Europa, Eliseu Visconti não somente participa, mas vence o concurso, sendo o primeiro pensionista da República pela Escola Nacional de Belas Artes.

   

Pano de Boca do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

 

Já na École de Beaux-Arts em Paris, Visconti também assiste aulas em um dos Ateliers mais importante naquele tempo, o Bouguereau e Ferrier. Insatisfeito com o método da École de Beaux-Arts, Visconti se muda para Academia Julian, onde podia executar seus trabalhos com mais liberdade de criação.

Mas Visconti, para adquirir novos conhecimentos e satisfazer ao seu temperamento inquieto, inscreveu-se na Escola Guérin onde, de 1894 a 1898 seguiu o curso de desenho e arte decorativa de Eugene Grasset, considerado uma das mais destacadas expressões do Art Nouveau. “Pela primeira vez, um pensionista brasileiro afastava-se dos caminhos tradicionais, que levavam inevitavelmente aos mestres acadêmicos, para dedicar-se ao estudo da arte decorativa. Aliás, um dos pólos do Art Nouveau, o simbolismo, liga-se ao pré-rafaelismo, daí a presença desses dois aspectos na obra inicial de Visconti”. (Frederico Morais em Eliseu Visconti e a Crítica de Arte no Brasil – Aspectos da Arte Brasileira – 1980)

Ainda em Paris, Eliseu Visconti produz diversas obras e participa seguidamente das exposições anuais nos “Salões” de Paris (Salon de Champs Elysées e Salon de Champ de Mars). Entre 1894 e 1900 expôs “No verão” (1894), “A Leitura” (1894), “Retrato de Alberto Nepomuceno” (1895), “As Comungantes” (1895), “A Convalescente” (1895), “Sonho Místico” (1897), “Fatigada” (1897), “Recompensa de São Sebastião” (1898), “O Beijo” (1899) e “Gioventú” (1899). Em 1900, na Exposição Universal Internacional de Paris, Visconti expõe “Oréadas” e “Gioventú”, sendo as duas telas premiadas com a medalha de prata. Ambas pertencem ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Na mesma Exposição Universal, Visconti recebe a Menção Honrosa na Seção de Artes Decorativas e Artes Aplicadas.

A Leitura

Oréadas

Recompensa de São Sebastião

As Comungantes

Gioventú

Sonho Místico

Retrato de Alberto Nepomuceno

No Verão

Eliseu pintando em Paris

Em junho de 1899, Visconti encerra seus estudos na França. Após a Exposição Universal de 1900, retorna ao Brasil, deixando em Paris a jovem francesa Louise Palombe, companheira e musa com quem ficaria casado pelo resto da vida. Segundo relatos, Visconti mantinha um carinho e dedicação muito grande aos seus próximos, sobretudo, à família. Segundo o próprio: “A família, primeiro; a arte, depois. Uma não é incompatível com a outra, como muitos pensam. Ao contrário, as duas se completam.”

Em 1904 ele volta a Paris e frequenta novamente a Academia Julian. Em 1905, expõe no Salão de Paris o retrato da escultora Nicolina Vaz de Assis, encantando a nobreza da capital francesa. Esse retrato, ao lado de outros trabalhos, tornariam Visconti um requisitado retratista.

Após 1920, Visconti não deixa mais o Brasil, empenhando-se no estudo da luminosidade tropical e da vibrante atmosfera do País. As paisagens impressionistas de Teresópolis, realizadas a partir de 1927, encantam pela atmosfera luminosa e transparente. Não por acaso, são consideradas, ao lado das paisagens de Saint Hubert, o melhor da produção do artista.

Exposição Eliseu Visconti: A modernidade antecipada.
Museu Nacional de Belas Artes
Av. Rio Branco, 199 – Centro, Rio de Janeiro

Até dia 17 de Junho
Terça a sexta-feira das 10 às 18hs;
Sábados, domingos e feriados das 12 às 17 horas.

Fabio Oliveira

Centenário de Robert Doisneau

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“As maravilhas da vida cotidiana são tão emocionantes. Nenhum diretor de filmes pode organizar o inesperado que você encontra na rua”.

Robert Doisneau.

 

 

O centenário de um dos fotógrafos mais famosos do mundo, Robert Doisneau, é homenageado no Rio de Janeiro com uma exposição inédita que começou dia 08 de março no Centro Cultural da Justiça Federal. Reunindo mais de 150 obras do fotógrafo francês, a exposição, que foi iniciativa da Aliança Francesa, fica em cartaz no Rio até o dia 17 de junho e também terá a exibição do documentário Robert Doisneau: Tout Simplemente e visitas guiadas.

Robert Doisneau nasceu na cidade de Gentilly, em 14 de abril de 1912, e  se mostrou desde cedo fascinado pelo cotidiano e pelas pessoas.  Influenciado por nomes como Cartier-Bresson, Eugène Atget e André Kertész  e com uma carreira fotográfica em áreas  bem distintas, Doisneau ficou famoso pelos retratos das ruas e do quotidiano da capital francesa dos anos 40 e do pós-Guerra

Trabalhou em revistas famosas como a Life e apesar de ter trabalhado na Vogue Paris onde fotografou a alta sociedade parisiense  e celebridades como Alberto Giacometti, Jean Cocteau, Joseph Fernand Henri Léger, Georges Braque e Pablo Picasso, seu trabalho é bem marcado pela não distinção entre as classes e sim pela beleza do dia a dia dos parisienses, independente de ricos ou pobres.

 

 

A foto clássica, do casal Françoise Bornet e Jacques Carteaud, O Beijo do Hotel de Ville, talvez a mais famosa de Doisneau, está na mostra do Rio e até hoje é vendida, na França, como calendários e postais.

Outro destaque da mostra é a serie dos retratos do público admirando a Mona Lisa e da Vitrine Romi.

Simplesmente Doisneau

Data: 8 de março até 17 de junho de 2012
Hora: ter. a dom. das 12h às 19h
Local: Centro Cultural Justiça Federal – Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro – RJ
Preço: grátis
Classificação Etária: livre
Informações/Contatos: (21) 3261-2550

Confira algumas fotos e um pouco mais de Doisneau

Débora Bendito

♠ Oh! L’amour ♥ Podcast Tecnicolor

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♠ Oh! L’amour ♥ ♠ Oh! L’amour ♥ ♠ Oh! L’amour ♥ ♠ Oh! L’amour ♥ ♠ Oh! L’amour ♥ ♠ Oh! L’amour ♥ ♠ Oh! L’amour ♥ ♠ Oh! L’amour ♥ ♠ Oh! L’amour ♥ ♠ Oh! L’amour ♥ ♠ Oh! L’amour ♥

♪ Boa audição!

 

 
” (…) palavras rançosas a revolver outra vez no coração
amor amor amor pancada da velha batedeira
pilando o soro inalterável
das palavras

aterrorizado outra vez
de não amar
de amar e não seres tu
de ser amado e não ser por ti
de saber e não saber e fingir
e fingir

eu e todos os outros que te hão-de amar
se te amarem

a não ser que te amem (…)”

trecho do poema “Cascando”, de Samuel Beckett

Maria Clara Coelho

Problemas de mulher

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Uma boa maneira de começarmos a pensar sobre o problema que envolve o significado de ser mulher e, de certa forma, o aprisionamento em que se encontram os sujeitos femininos (e na contramão, mas diretamente envolvido, também os masculinos) é colocando em xeque a existência de um problema que envolve exclusivamente essa divisão: homens de um lado, mulheres do outro.

No discurso ordinário, a utilização de uma divisão binária, epistemológica e ontológica, das categorias de gênero nos possibilita destinar aos dois campos características e papéis que poderiamos dizer serem oriundas daquele próprio organismo. Logo, o convite é oferecido: estamos diante de uma investigação da (in)existência de um problema que recai, neste caso específico, ao grupo das mulheres. E que problema seria esse? Como forma de esclarecer o pensamento aqui comprometido, penso ser indispensável suspeitarmos da (im)possibilidade de conseguirmos definir uma identidade das ‘mulheres’, ou seja, de não conseguirmos constituir o sujeito estável e permanente de uma teoria feminista sem que isso acabe por minar os interesses reais de uma busca por justiça e inclusão. Talvez, por mais esquisito que isso possa parecer, seja necessário pensarmos que os sujeitos, caracterizados de maneira a priori, de quaisquer que sejam nossas teorias, são produções de sistemas de poder e, por essa razão, não existem de fato; ou seja, são projetos de uma ficção comprometida com a manutenção do poder vigente.

Logo, é preciso ter em mente a possibilidade de estarmos comprando uma ficção fundacionista do sujeito que nos faz acreditar que um termo como ‘mulheres’ possa definir elementos criteriosos que vão denotar uma identidade comum a todos os sujeitos que participam desse ‘grupo’. Neste caso, podemos suspeitar que a fala “talvez não existam mulheres”, da filósofa Julia Kristeva, possa fazer algum sentido. De qualquer forma, o que essa nova perspectiva de encarar as teorias feministas chama atenção é para o fato de que é preciso romper com os parâmetros que fundaram as relações políticas e culturais das nossas sociedades e que, advindo disso, dominaram e dominam a nossa forma de se relacionar não com as categorias de ‘homens’ ou ‘mulheres’, mas com a humanidade.

Desta maneira, não é preciso ignorar o processo histórico que nos fez ser quem somos, mas incluir nesse processo a compreensão de que nossa percepção do mundo de fora e também de nós mesmos é fruto de algo maior. Ser mulher, ser feminina, ser moça, ser santa ou ser puta são conceitos que nasceram como fruto de uma dominação patriarcal, masculina, para não dizer heterossexual. Sendo assim, oferecida a suspeita de tal diagnóstico, passamos a enaltecer as ‘mulheres’, na sua utilização ordinária, que fizeram parte desse processo histórico de luta pela emancipação das mesmas à categoria de ‘indivíduos’ desprovidos de qualquer poder político que quisesse lhe conceder aquilo que deveriam ser. Dentro dessa perspectiva feminista comprometida com todas as variações possíveis que podem formar a identidade dos sujeitos, problemas de mulher passam a ser, na verdade, problemas da humanidade.

Ps: Este texto é dedicado a todas as pessoas que fizeram e fazem de suas vidas a luta por um mundo melhor, mais igualitário e inclusivo. (Dedicado especialmente a Maria Clara Dias, Marcia Tiburi, Laerte Coutinho e Judith Butler)

Fabio Oliveira

Exposição Pirografando na Cafeteria Diminuta

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O Projeto Tecnicolor nesse mês de março presta uma homenagem às mulheres com uma programação marcada pela presença feminina.

Para compor o conjunto de eventos, a artista Carla Tosto traz a exposição Pirografando que terá sua vernissage amanhã, dia 08 de Março na Cafeteria Diminuta e fica em cartaz até dia 08 de abril

 

Oito pirografias e uma homenagem

A gente vem pirografando há muito tempo. O surgimento do Homus Pirografandis tem uma data imprecisa perdida na pré-história, e é assim com estas pirografias da Carla Tosto. A tábua do fundo de um velho armário está por aqui. A cadeira de uma avó quase nunca desaparecida da memória. Seu trabalho começa daí, do ancestral, do onipresente. Céus coloridos, sonhos de quartos. O registro do local da criação, quem não tem? O percurso por tantos lugares do sentimento alcança o personagem e toca o símbolo. Lá no fundo de nós e com humor. Acho que isso é raro.

Jeanne Eratzu
revista “El Arte es el Fuego”

 

P.S. : Formiga?

Designação comum aos insetos himenópteros da família dos formicídeos, que formam sociedades divididas em rainhas, machos e operárias, com suas funções específicas; caracteriza-se pela forma peculiar do pedículo abdominal, que apresenta um ou dois segmentos escamiformes.

Carla Tosto

Carla Tosto por Carla Tosto

Nasci em 1983 no Rio de Janeiro. Em 2004 me formei em Design de Moda pela UVA. Trabalhei na criação de vitrines e produção de adereços para cenários. Realizei minha primeira exposição “Cuidando do Jardim” em 2010 no bairro de Santa Teresa. Hoje além de pirografar, sou assistente do Daniel Senise e estou na Diminuta Cafeteria Cultural com a exposição “Pirografando”.

 

Pirografando – Carla Tosto

Diminuta Cafeteria Cultural
Rua Major Ávila, 455 – Tijuca
Abertura: Quinta, 8 de Março, das 20h às 23h
Período: 08 de Março a 8 de Abril

Débora Bendito

Programação de março na Cafeteria Diminuta

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Olá amigos!

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a programação de março dos eventos promovidos pela Tecnicolor na Cafeteria Diminuta está marcada pela presença feminina: são 9 Pocket Shows com novas cantoras e músicas, uma exposição da artista plástica Carla Tosto, além do Encontro Filosófico, que vai discutir o tema dos gêneros.

Confira a agenda:

01|QuiBalcony Players (Holanda)  (Músicas balcânicas, ciganas e judaicas) – 20h
03|SábPaula Baco  (Canções autorais) – 20h
08|Qui – Vernissage da Exposição de Carla Tosto  - 20h
09|Sex – Fiapo de Manga  (Duo de violões) – 20h
10|Sáb – Iara Ferreira  (Canções Brasileiras e autorais) – 20h
16|SexMarina Iris  (Sambas e MPB) – 20h
17|SábJulieta Brandão  (Sambas e Canções) – 20h
21|Qua – Encontros Filosóficos – “O Travestimento da Mulher: Vozes Caladas e Corpos Torturados no Mundo dos Homens” - 19h30
23|SexNina Rosa  (Sambas e Canções) – 20h
24|SábGabriela Buarque e Ana Clara Horta  (Sambas e Canções) – 20h
30|Sex – Nivea Magno  (Samba) – 20h
31|SábThais Villela  (Samba) – 20h

Confira os vídeos dos pocket shows na página do Facebook da Cafeteria Diminuta – http://www.facebook.com/diminutacafeteria ou no nosso canal do Youtube http://www.youtube.com/user/projtecnicolor

A Cafeteria possui um ótimo cardápio, com cerveja Antarctica de 600ml a R$ 4,50, sanduíches especiais a R$ 6,80, além de salgados, sundaes e drinks de café.

Endereço: Rua Major Ávila, 455 – Tijuca (próximo ao Shopping Tijuca)
Telefone: 2587-8606

Esperamos vocês lá!

Equipe Tecnicolor

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Tecnicolor

A reinvenção da realidade

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Diante da expectativa do discurso, o vazio acompanhado do som em murmúrios. No palco do espetáculo o título do livro, do filme, da cena e da vida que ali se reinventaria. Tudo se enquadra no mais perfeita ordem das etiquetas daquele universo. Nós, telespectadores, de acordo com a câmera, também ocupamos um papel na história; uma história marcada por um convite rasgado pela (im)pessoalidade com início, meio e fim.

A reflexão sobre as diversas interpretações do que consiste um objeto de arte, especialmente no que se refere a distinção entre a reprodução (cópia) e o original (fiel), são jogadas na tela como fonte da própria desconstrução da obra que se apresenta em forma de filme. Estamos diante, portanto, de uma obra em que a busca primordial é a própria tentativa de auto desconstrução. Afinal, quais são os critérios para a definição do que seja e do que não seja uma obra de arte? Em que momento podemos dizer que houve uma transfiguração de um objeto comum?

Em “Cópia Fiel” 1 podemos pensar sobre a arte a partir de inúmeras perspectivas. No entanto, é com Walter Benjamin que a discusão trazida com o filme me parece transcender os limites de um mero produto estético e toma corpo enquanto objeto também político 2. Se pensarmos junto com Benjamin, uma obra para que seja uma obra de arte possui em si mesma algo que a qualifica enquanto tal: uma aura. Para o filósofo, o conceito de aura é um elemento caro às obras de arte, pois é através dela, a aura, que podemos traçar a linha tênue que separa um objeto único, a obra de arte, das suas reproduções, as cópias. O instante em que passamos a precisar destacar essas diferenciações é marcada pelo momento em que as técnicas tomam corpo e são massivamente difundidas. Eis que surge a fotografia 3. A fotografia chega para marcar uma nova forma de percepção. Um novo olhar é instaurado no mundo e sobre o mundo e, com isso, a sensibilidade das pessoas também se modifica.

A arte, nesse sentido, perderia sua essencialidade manual, a de tentar reconstruir o que há ou projetar um novo olhar sobre o mundo, e se transporta para a tentativa de enquadramento ou registro do movimento. Nessa dialética entre imagem e movimento, acoplado ao som, no cinema, por exemplo, revela-se o surgimento de algo novo, como soma e fruto da tendência dessa percepção visual instantânea – a sétima arte. Sobre a perda da essencialidade que qualifica, segundo Benjamin, a obra de arte podemos destacar a seguinte passagem do autor:

“O conceito de aura permite resumir essas características: o que se atrofia na era da reprodutibilidade técnica da obra de arte é a sua aura. Esse processo é sintomático, e sua significação vai muito além da esfera da arte. Generalizando, podemos dizer que a técnica de reprodução destaca do domínio da tradição o objeto reproduzido. Na medida em que ela multiplica a reprodução, substitui a existência única da obra de arte por uma existência serial. E na medida em que essa técnica permite à reprodução vir ao encontro do espectador, em todas as situações, ela atualiza o objeto reproduzido”. 4

Conseguimos perceber, com isso, que Benjamin identifica um valor artístico acerca da autenticidade / unicidade, valor este não encontrado em cópias de obras artísticas. Tal questionamento pode ser visto claramente na cena do casal protagonista do filme passeando pelo museu ao ar livre em Florença. O filme, com isso, passeia, junto aos seus protagonistas, entre as discussões pertinentes à filosofia da arte, mas, sobretudo, ao universo formado por aqueles que atribuem qualquer tipo de valor as coisas, nós, as pessoas.

Walter Benjamin

Aqui a discussão sobre valor permeia a formas de expressão artísticas, mas também o contexto em que elas são encontradas e percebidas. Afinal, haveria uma realidade ou apenas o nosso olhar sobre ela? O que conseguimos perceber é o que há ou apenas fruto das convenções sociais, culturais que nos permitem enxergar até onde aprendemos a ver? Caso queiramos apostar na ideia de que somos sempre limitados por aquilo que somos e que, portanto, podemos ser até onde nossa dimensão corpórea e imaginativa permite que sejamos, ainda assim poderíamos nos inventar a cada instante e também inventar o mundo ao nosso redor. Pode ser, com isso, que tenhamos que suspender nossa tentativa de atribuir um valor intrínseco às obras de arte autênticas e, com isso, admitir uma indiferença entre o que foi o primeiro e a cópia deste. No entanto, na contramão dessa perspectiva, haveria uma outra possibilidade de perceber essa discussão: a tentativa de encontrar uma via que não nos distancia tanto do valor da coisa em si, ainda que não sejamos capazes de estabelecer um contato direto com as coisas, uma vez que somos banhados por diversos outros tantos elementos que nos formam constantemente. Dessa maneira, poderíamos nos perguntar sobre a possibilidade de admitir que os valores que repousam sobre as obras são relacionais? Ou seja, que uma obra de arte não precisa necessariamente ser atrofiada enquanto tal, mas sim a sua aura, se quisermos continuar com o vocabulário de Benjamin. Desta maneira, a percepção humana e a relação estabelecida entre nós e os objetos não precisariam se organizar apenas naturalmente, mas também historicamente. Admitindo isso, não haveria problema algum em identificar valores diferenciados entre obras de arte e suas cópias, entre as relações que estabelecemos com umas e outras pessoas. As relações e os valores daí extraídos seriam componentes importantes para nossa identificação e reconhecimento do que caracteriza uma obra de arte.

Destaco essa analogia entre os valores que relacionamos aos objetos de arte e aos relacionamentos humanos por uma razão bastante clara: a tentativa de transportar nosso olhar sobre a arte para a ideia de que a vida também é uma encenação, em algum nível, e que, por essa razão, ela é palco e nós, atores deste espetáculo. No filme, essa analogia fica ainda mais clara quando já não sabemos, se é que precisamos saber, até onde a realidade daquelas vidas se dá, até onde eles se camuflam em cenários e se reiventam a cada instante. Seriam essas invenções desprovidas de valor? Onde começa a realidade e onde termina a ficção?

Diante dessa configuração, podemos retomar a questão da autenticidade para as obras de arte, mas também para nós mesmos. Sentamos diante de um espelho e nos enfrentamos: somos aquilo que inventamos para nós mesmos ou somos o exercício de determinados muitos papéis sociais que simplesmente compramos? Em outras palavras, somos originais ou somos cópias?

O papel de Juliette Binoche me parece um convite à autenticidade. A personagem se enfrenta a cada tentativa de se reinventar. Talvez, seja nessa tentativa de não ser apenas um nome a ser comprado/adquirido pelo o outro como mercadoria que a personagem de Juliette não é nomeada durante todo o filme. Sem um título que a inscreva, resta a personagem ser fiel a ela mesma.




*****
Filmografia:

1. Cópia Fiel (Cópia Conforme). Direção: Abbas Kiarostami; 106min, 2010. (França, Irã, Itália)

*****
Notas:

2. Benjamin, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica em Obras escolhidas – volume 01, tradução de Sérgio Paulo Rouanet, prefácio de Jeanne Marie Gagnebin, 6ª edição, Editora Brasiliense, São Paulo, 1993, (título original: Das Kunstwerk im Zeitalter seiner technischen Reproduzierbarkeit)

3. Poderíamos adentrar em inúmeras discussões sobre a popularização da fotografia enquanto registro, modo de expressão etc., no entanto, para uma abordagem mais próxima ao filme me atentarei em discutir o processo fotográfico diante da abordagem de Walter Benjamin.

*****
Bibliografia:

4. Benjamin, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica em Obras Escolhidas – Volume I, tradução de Hemerson Alves Baptista e José Carlos Martins Barbosa, 7ª edição, Editora Brasiliense, São Paulo, 1994. (título original: Das Kunstwerk im Zeitalter seiner technischen Reproduzierbarkeit)

Fabio Oliveira

Nara ✤ Podcast Tecnicolor

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“Sempre cantei o que me interessa. Menos na televisão. A televisão engole a gente; se a gente não toma cuidado, passa de cantora a vedete.”

Em comemoração aos 70 anos da grande pequena voz da bossa nova, a Tecnicolor dedica um podcast exclusivo com músicas gravadas por Nara Leão.


♪ Boa audição!

 

 

Set List do Podcast:


01 • Retrato branco e preto – Tom Jobim e Chico Buarque
02 • O grande amor – Tom Jobim e Vinicius de Moraes
03 • Estrada do sol – Tom Jobim e Dolores Duran
04 • Atirei o pau no gato – tradicional
05 • Canta, Maria – Ary Barroso
06 • Colar de estrelas – Breno Ferreira
07 • Flashback (com Roberto Menescal) – Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli
08 • Chegando de mansinho (com Dominguinhos) – Dominguinhos e Anastácia
09 • Repente (com Edu Lobo) – Edu Lobo
10 • Se você pensa – Roberto Carlos e Erasmos Carlos
11 • Dia de Lluvia – Roberto Carlos, Eramos Carlos, Cast. Juan Carlos

Tecnicolor
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